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Fala freguesia. Hoje tem promoção, compra dois e leva dois. Diferente do primeiro jogo que levou logo três. Deram muita sorte. Tudo bem, somos líderes ainda e depois vem os bambis do Rio. Com a liderança na base da cabeçada (com dois gols de cabeça)conseguimos pelo saldo de gols liderar o campeonato de novo. Enquanto os bambis pegam os gaúchos do Grêmio nós temos o Fluminense para levar os três pontos. Atlético e Flamengo definem a disputa pela vaga das Libertadores. É pois ganhar o título acho que eles não ganham.
Sobre o jogo não tenho muito o que falar.
Não há emoção maior do que ver no mesmo time Marcão,Marquinhos e Jumar . Mas com um santo a menos conseguimos com garra e força arrancar nosso pontinho de líder. Como disse o Renatão do blog Palmeiras Sempre 10 o Bruno realmente nasceu para tomar gol do gordo. Mas o jogo foi bom e deu pra gritar na janela um pouco calando as galinhas que cismam em cercar meu prédio. Agora queria dividir um texto que saiu hoje no Estadão no caderno de esportes escrito pelo cineasta Ugo Giorgetti que além de muito divertido é bem realista. Notem como ele se refere aos torcedores do São Paulo F.C. com carinho e realismo. Muito bacana mesmo.
Um Grito Dentro da Noite
Quartas e quintas à noite, certos bairros da nossa civilizadíssima metrópole oferecem um espetáculo que, se não é inteiramente novo, neste momento se solidifica de maneira espantosa. O fenômeno acontece também aos sábados e aos domingos, mas no período da tarde, o que o enfraquece muito. O espetáculo se dá melhor, e tem mais efeito, quando os prédios que se erguem pela cidade estão mergulhados na noite, e seus habitantes supostamente descansando diante da inevitável televisão. É então que a coisa acontece. Nas noites de quarta e quinta há jogos que se iniciam, em média, lá pelas nove e cinquenta. São sempre de alguma maneira transmitidos pela televisão e, claro, envolvem nossos grandes clubes. No relativo silêncio dessas horas subitamente alguém faz um gol. Imediatamente o fato torna-se do conhecimento de todos, mesmo de quem não está acompanhando o jogo, porque é anunciado por gritos que parecem vir de um daqueles antigos filmes de terror, baseados em contos de Edgar Allan Poe. Mas não é tudo. Acompanha os berros uma série de mensagens, ditas no mesmo tom, dirigidas diretamente a adversários abrigados em outros apartamentos. Curioso que essas mensagens envolvem, por alguma razão para mim ainda obscura, o reino animal. As espécies invariavelmente mencionadas são os porcos, gambás e bambis. Se por exemplo um bambi faz o gol, seguem-se cuidadosas instruções do que os gambás e porcos das redondezas devem fazer com seus times, onde colocá-los, quando não enfiá-los. Evidentemente o mesmo procedimento é seguido minuciosamente pelos porcos e gambás, quando seus times fazem o gol redentor. Confesso que esse acontecimento me fascina. Primeiro pelas vozes. Jovens, naturalmente, fortes, de uma geração que não fuma mais, de pulmões saudáveis e potentes. Vozes tremendas, uma espécie de tenores das cavernas, e, curioso, de timbre semelhante. Pensei mesmo, por um tempo, que se tratasse de uma única e desvairada pessoa que, saída da pré-historia, viesse anunciar a todo o bairro seu ódio aos bambis, aos porcos e aos gambás indistintamente reunidos num único rebanho. Não era. Havia uma sutilíssima diferença, não nas idéias nem nas mensagens, claro, mas no timbre, na modulação. Eram vários. Mas de onde vinham? Quanto mais eu ficava à janela consultando a noite menos descobria a procedência. O que eu via eram apenas janelas vazias e lá dentro o reflexo colorido das televisões ligadas. Ninguém. Onde se esconderiam?Uma noite dessas, durante um jogo, desci até a portaria do prédio e, arriscando passar por louco aos olhos do porteiro perplexo, fiquei por ali, à espera de um gol. Ele veio, houve os urros e os insultos protocolares mas nem assim cheguei a uma conclusão irrefutável. Porque o problema é que, quando cessam os uivos e palavrões, tudo volta a uma calma tão grande, a vizinhança readquire tão rapidamente seu aspecto respeitável, elegante e civilizado, que parece impossível que a manifestação animalesca tenha surgido ali. Na manhã seguinte, à luz do dia, observo a saída dos carros de vidros escuros, os estudantes deixando os prédios com seus livros, os jovens executivos compenetrados, já pensando em suas altas responsabilidades, e procuro nessa aparência de tanta seriedade indentificar bambis, porcos e gambás. Não consigo. Quem será que grita dentro da noite?
Abraços a todos e até a próxima.
CHUPA FREGUESIA, ANO QUE VEM A GENTE SE VÊ NAS LIBERTADORES...